Entrei na faculdade em 2003, e logo no começo, entre milhares de trabalhos de ilustração e ergonomia, me embrenhei num estagio de Rich Internet Applications no Ltia (Laboratório de tecnologia e Informação Aplicada) - mantido pela faculdade de Ciências. A principio é meio estranho pensar que estava trabalhando com diagramação visual sendo que o meu curso era para habilitação em PP (Projeto de Produto). Parando pra pensar nem sei porque entrei nesse estagio na época, o que importa é que ele mudou completamente a minha forma de ver o meio acadêmico, e principalmente de estudar.
Fazendo apresentações de trabalhos e cuidando de animações e vídeos, foi me despertando um ramo totalmente diferente do que eu havia imaginado inicialmente. Quando prestei vestibular, meu objetivo era fazer design automobilístico mas com o estagio meus interesses foram apontando para novos lugares. Como um laboratório de tecnologia, experimentávamos os mais recentes lançamentos da área, por esse motivo, não dispúnhamos de material de treinamento, muito menos alguém para nos ensinar. O jeito era sair atrás do conhecimento via Internet, aprendendo por meio dos fóruns e tutoriais caseiros todo o ensino que precisamos.
Esse método de estudo foi se tornando cada vez mais presente na minha vida. E aos poucos - com a convivência junto ao pessoal de Computação - fui aprendendo a refinar a procura pela informação. Nessa época acabei me ausentando um pouco das aulas, e dando mais atenção pro estagio. Por dois motivos: 1° eu não queria mais trabalhar com projeto de produto, então tudo que me passavam nas aulas já não despertava minha atenção. Minha curiosidade estava voltada para outra coisa: Animação e vídeo. 2° Eu sentia que o meu aprendizado no lab. era muito maior do que nas aulas, e isso não é por culpa dos professores, mas é que eu estava em outro processo. O que eu procurava as aulas tradicionais já não conseguiam mais me dar.
Numa dessas navegadas acabei encontrando uma atividade que foi muito importante pra mim, em diferentes níveis: o ioio. Quando falamos nesse brinquedo, a primeira imagem que vem a cabeça é a famosa marca de refrigerantes, que distribuiu ioio Brasil á fora. Bom, esqueça isso, estamos falando de outra coisa. E até eu me tocar que existiam ioios alem dos da Coca, demorou um pouco. Foi preciso algum tempo de internet/forum pra saber que o mundo já tinha evoluído a ponto de construir modelos com rolamento.
Na época não tínhamos youtube e nem as facilidades de uma banda larga. Lembro que demorei 1h pra baixar o primeiro vídeo de ioio por meio da Internet discada. Conectado pela madrugada, passando um fim de semana na casa de meus pais, vi pela primeira vez as possibilidades que aqueles brinquedinhos de rolamento podiam oferecer. Pra mim foi mágico. Nesses momentos você olha pra tela do pc e diz: eu quero aprender isso ai.
Ai vem o problema, aprender como? Não conhecia ninguém que jogava, e não tinha idéia nem onde vendia. Aproveitando todo o conhecimento adquirido no estagio, usei a filosofia de trabalho e sai em busca de mais informações. Pelos mecanismos de busca, achei um fórum especializado em ioios aqui no Brasil - ABI -Associação Brasileira de Ioio. Entrei, dei uma olhada nos tópicos continuei procurando mais coisas sobre o brinquedo. A primeira coisa que descobri é que muitos nem devem ser considerados brinquedos, tamanho o grau técnico exigido pra se manipular um.
Dai por diante, foram uma serie de descobertas empolgantes, que me deram coragem a fazer a minha primeira compra via Internet. Depois de 1 mês investigando o fórum, conversando com o pessoal e baixando vídeos, comprei meu primeiro ioio. Legal pensar que a minha primeira compra virtual foi justamente isso, pois praticamente tudo que eu adquiri posteriormente foi por meio de lojas on line. Meio que ele representa um marco comercial na minha vida ahehaehea.
Pelo fórum, pude ver que o método de treinamento da maioria era parecido: baixar vídeos e acompanhar as manobras atentamente (se possível rodando o vídeo em câmera lenta pra facilitar o aprendizado). Pra mim era o único jeito. Rolavam alguns encontros de ioios, mas todos em Sampa, e como eu voltava raramente, nunca sobrava tempo para conhecer a galera pessoalmente.