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O concurso de Novos Talentos da Volkswagen chega a sua 10° edição como um dos mais importantes eventos de design automobilistico do país. Como um amante de concursos, não consegui ficar de fora desse desafio. Apesar de já ter participado, essa é a primeira vez que realizo um projeto inteiramente meu (das outras vezes cuidei apenas de partes isoladas como edição e storyboard).

Foi um projeto muito legal pois consegui desafiar meu proprio estilo e propor um conceito que fosse alem das linhas que temos hoje. Mais do que isso, na minha opinião, pude expressar no automóvel todo o conceito e vivencia por trás de meus trabalhos com graffiti, ilustração e composição.

A seguir, descrevo o processo de criação do Volkswagen Tag.

VW tag - Concurso de novos talentos Volkswagen

O Volkswagen Tag é um conceito de carro desenvolvido para o concurso Volkswagen de Novos Talentos 2007, sob o tema "de volta para o futuro", onde o candidato deveria elaborar um automóvel de acordo com os modelos anteriores da marca e apresentá-los sob o aspecto de uma visão futurista. Particularmente preferi trabalhar os icones da Volkswagen, e não apenas um modelo. Acredito que assim estaria me desafiando a encontrar uma proposta de trabalho mais livre e assim poder viajar nas idéias.

Além disso, quis juntar uma expressão de arte muito presente nos meus trabalhos: o graffiti. Falando assim parece dois ramos bem distantes: o design automobilisto e essa arte urbana, porem, aos poucos vou explicar melhor de que forma juntei esses dois elementos e qual o sentido de trabalhar ambos em um projeto como esse.

 

Concurso

De nivel nacional e voltado aos estudantes de design do último ano, o concurso da VWs é destinado à aqueles que querem entrar na área automobilística. É considerado o principal meio de acesso na área do país, por isso tem grande visibilidade ate mesmo em outros ramos. Dividido em 3 fases, a primeira se restrige ao lançamento da proposta e elaboração dos desenhos e conceitos. É o inicio de uma saga que pode se excender pelos próximos 6 meses dependendo do seu desempenho ao longo da competição. Nesse periodo temos geralmente 2 meses para fazer as pranchas (no minimo 4) e enviar para o pré julgamento da banca. Na segunda fase, são escolhidos os 15 melhores trabalhos, e os candidatos são submetidos a uma avaliação de desenho na sede da Volkswagen em São Bernardo do Campo. Confesso que apesar do clima descontraido, é uma fase tensa, pois além de ter que desenhar com todos te observando, você sabe que dali apenas 3 conseguiram a vaga. Nesse dia, conhecemos a área de design e tivemos a oportunidade de conhecer um pouco da vida do designer automobilístico.

A última fase, consiste na elaboração da apresentação final. Nessa parte do concurso apenas 10 avançam para a parte decisiva. Hora de colocar toda a criatividade em prática e elaborar o melhor trabalho possivel. O tempo pra isso é em média de 2 meses (que aliás passam muito rápido). Até 2004, os projetos deveriam ser entregues por meio de um carro em escala 1:4 que era apresentados e avaliados durante a festa de premiação (pude acompanhar a correria que era por meio dos meus veteranos. Eu havia acabado de entrar na faculdade quando a Unesp tinha 5 projetos na final do concurso. Passar noites em claro era só inicio de muito trabalho eaheaheah).

Em 2005, a direção resolveu mudar a forma do concurso. Dessa vez ele deveria ser mostrado por meio de video ou apresentação em power point. Lembro que esse ano, o julgamento aconteceu durante a festa. Enquanto um pessoal aproveitava os petiscos , o juri passou mais de 90 minutos vendo os trabalhos dos finalistas (no ano seguinte fizeram os julgamentos semanas antes da festa - acho que o juri reclamou tanto que em 2006 mudaram tudo aehhaeeah)

 

Conceito

Essa é a terceira vez que participo do concurso de novos talentos da Volkwagen, porem esse é o primeiro ano em que tenho um projeto totalmente meu. (das outras vezes entrei como video maker, e ajudei a elaborar os vídeos de apresentação. Em 2005 trabalhei no video do Zee Lounge do Renato de Oliveira, e em 2006, fiz a edição e sonorização do video Quarup de autoria do Rafael Camerini.)

Com toda a experiência que obti ao ajudar nesses 2 grandes projetos, resolvi criar um só meu, em que pudesse explorar o que eu achava ser uma proposta interessante para um carro conceito, e que atendesse não só ao tema, mas que fosse também uma representação da minha bagagem pessoal como designer.

Como linha principal de criação, quis trabalhar um projeto que seguisse o meu estilo de desenho e por isso precisava ser relativamente fofo eheaheh. Como um amante do ciclismo acabei por encarar o transito de uma forma diferente e por esse motivo vejo o design automobilsico como algo agressivo que procura se impor cada vez mais, tornando o tráfego pesado ainda mais denso. Acredito que como designer meu papel seja correr contra essa linha, pois simplesmente não posso criar o branco no branco. A cidade ja é tensa, o aspecto já é cinzento. fazer mais um elemeto agressivo é estar reforçando a brutalidade visual que vivemos.

Sobre esse aspecto entra o graffiti, que é uma arte que sugere uma nova leitura apartir do meio que está inserido. As cores, as formas, as composições tendem a querer dispertar para o local um novo olhar. Como se aquele espaço antes dispercebido ganhasse um adicional, e se transformasse num ponto que vá contra todo o seu redor. E essa a idéia do meu projeto. Um carro que destoe não pela brutalidade, e sim pela elegancia e fofura. Algo que seja um diferencial no transito e que venha a trazer linhas mais simpaticas pras ruas, sem deixar de lado toda a conotação simbólica que existe na marca Volkswagen.

Por isso comecei a exploração do tema apartir do graffiti, e a forma com que esse tipo de arte é construida e aplicada. Fragmentada por meio de pedaços que se encaixam e entrelaçam, essa foi a base para a confecção do shape principal do carro. Alem disso fui mais em direção a arquiterura e as soluções simples para dar ao meu projeto uma série de pequenos detalhes que não são nescessariamente de alta tecnologia. Com isso alio a expressão urbana do graffiti com o meio em que ele ocupa (as cidades) e a forma com que os dois se unem para formar um elemento novo, passivel de compreenção e descobertas da forma e do meio.

 

O processo de elaboração do conceito veio junto com a parte de representação. O trabalho de produzir sketchs foi acontecendo durante todo o tempo, e a cada nova idéia, eu me propunha a alterar as concepções previas, bem como descartar tudo o que eu já tinha feito e começar de novo. Esse período durou bastante tempo. Eu precisava me convencer que o projeto era sólido o bastante para ser defendido, por conta disso passei muito tempo só pensando nas possibilidades e de que forma estabelecer uma base conceitual forte para o projeto.

Depois disso, percorri varias caminhos até chegar no desenho final. Em determinado ponto travei de um jeito que a única solução foi aceitar o convite dos amigos pra sair. E por mais estranho que isso possa parecer, foi justamente numa dessas saídas, que imaginei toda a base de construção do carro. Desencanar um pouco do projeto foi interessante a partir do momento que me confrontei com novas situações e pude dar um "refresh" na cabeça. Já com o tempo meio curto, comecei de vez a construir a representação final - O tempo curto é até melhor, dá mais emoção aehaeheah.

Nesse ponto começa aquele período de desenhos e mais desenhos. Fui juntando folhas no meu quarto, e até mesmo pequenos espaços foram sendo utilizados para o rabisco dos detalhes. Trabalhei de um lado ao outro - conversando com o pessoal, pedindo sugestões, vendo livros de toy art, lendo revistas de arquitetura. Minha intenção era juntar um monte de referencias e ir refinando aos poucos até o visual se encaixar com o conceitual.

Não só isso, mas meu desejo com esse projeto foi lançar uma nova proposta, buscar trabalhar o graffiti e o meio automobilístico de forma que os dois pudessem dialogar. Por isso minha busca por referencias foi ampla. (Deixemos claro, que não pirei tanto assim aehaehaeh , não queria juntar design de cabelo, mais food design e assim por diante - enfim, acho que vocês entenderam haaeheahea). Creio que esse foi um dos maiores desafios no inicio, mas com ele resolvido tive liberdade o suficiente para experimentar.

Em tal ponto percebi que o carro não poderia ser apresentado de uma forma convencional. Resolvi arriscar na elaboração das pranchas e montei meu conceito sobre as paredes de Bauru. O interessante dessa história foi sair fotografando aqueles espaços que eu cruzava diariamente no caminho para a faculdade, restaurante, mercado, mas que na maioria das vezes nem percebia. E isso também fazia parte do projeto como um todo. Perceber os espaços, se interar do meio urbano.

Por fim, crie 4 peças bem interessantes, que retratam não só o meu olhar sobre alguns detalhes urbanos, mas também a forma como um automóvel pode ser representado, tendo em vista o conceito em que ele esta inserido. Uma coisa que pude notar é que no folder dos finalistas da Volks, usaram só o carro para ilustrar o projeto, e assim ele pareceu estranho aehaehaeh (isso não é uma critica a quem elaborou o folder - haeheahea - , mas apenas uma analise de como a representação do meu projeto só faz sentido quando visto sobre todo o contexto.)

A seguir, as pranchas enviadas (1° fase):

VW_tag VW_tag VW_tag VW_tag
       

 

 

A ultima fase é a elaboração da apresentação e a defesa final do projeto frente ao júri. Os trabalhos podem ser em vídeo, power point, impressos... enfim, cabe a cada um decidir o que mais agrada e convêm fazer. No meu caso, o histórico não permitiu muitas variações ahehaehea. Fui de vídeo mesmo.

Não vou me estender na parte técnica desse assunto, mas teria muita coisa pra falar. Os que tiverem duvida ou curiosidade, podem me mandar e-mail perguntando.

Bom, mas vamos á algumas informações: O carro foi modelado em Maya e renderizado em Mental Ray. Demorou um bom tempo até os 3000 frames ficarem prontos. Tirando por base, cada um (frame) demorou 2 minutos pra ficar pronto. Uma saga como sempre. Estou até me acostumando em dormir com o pc renderizando.

A montagem das cenas e de todo o vídeo foi feito no Adobe After Effects. Enquanto o pc do estágio ficava renderizando, eu usava o de casa pra acertar o resto das coisas (montar o vídeo final, trabalhar a trilha sonora....)

O mais trabalhoso desse vídeo nem foi a renderização ou as animações, mas as filmagens. Pra cada dia que eu saia com a câmera na mão acontecia uma coisa bizarra. Na primeira cena do graffiti surgindo na parede, um urubu sai voando no momento exato. Aquilo não foi sorte, mas um bêbado que estava passando e resolveu "ajudar". Depois de muita insistência perguntando se eu trabalhava na TV, expliquei que estava apenas esperando o urubu voar. Ai ele começou a gritar feito um louco na rua "voa *&¨%#@", voa logo bicho filho da p&*&%$" ai o urubu voou. Ate hoje eu não acredito. Acho que preciso beber mais.

Outra coisa engraçada que aconteceu, foi na cena que apareço andando na frente da câmera enquanto o graffiti surge. Ali era estacionamento de uma igreja evangélica. Fiquei um tempo lá, até que apareceu o pastor dizendo que eu não podia ficar ali. Tive que mentir dizendo que era de uma agencia que estava querendo captar os carros Volkswagen nos mais diferentes meios, e que inclusive ate mesmo no meio evangélico ele estava inserido. Nossa, o cara ficou tão feliz que quis ligar pros outros amigos da igreja trazerem os seus carros - neguei dizendo que precisava ser espontâneo - "Ordens da agencia, eles são chatos com isso" aehehahea no fim ele até pediu uns toques sobre qual câmera comprar pra filmar os cultos.

Ah, o carro que aparece no começo foi sorte mesmo. Eu e meu amigo Fabio - o cara que passa no inicio do vídeo - saímos a procura de um Volkswagen, sozinho, que estivesse a frente de uma parede branca. Caramba, e não é que encontramos um! haehaehae. O resto foi ficar esperando outra pessoa passar e compor a cena.

 

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A todos que me ajudar nesse trabalho, um muito obrigado. Em especial pro Fabio, que me aguentou nas maluquices com a camera, e o pessoal do LTIA, que cedeu alguns computadores para renderização.

O vídeo final foi alem das minhas expectativas, e pode ter certeza que mesmo sem ficar entre os três primeiros, estou muito feliz por tudo.

Até mais ver!

bozobozoca.com____Felipe Pellisser Albergard_____bozoca@gmail.com